Já são 8 anos q sou usuário de linux. Acho incrível que nesse tempo todo ainda não tenha aparecido uma solução para todos os problemas de som que o linux tem. Quando li que o fedora 8 teria um novo sistema de som chamado pulse audio que resolveria todos os problemas fiquei muito feliz mesmo.
Sem muito tempo sobrando demorei um mês para poder instalar o fedora 8 e depois de instalado e de ativar o pulse audio minha felicidade se foi.
A primeira coisa foi a falta de documentação sobre o pulse audio, a segunda é que tudo continua como antes, sem nenhuma vantagem perceptível, e a terceira é que o pulse audio funciona e deixa de funcionar de acordo com sua vontade, parece até que está vivo.
Após o desabafo gostaria de saber o seguinte: é possível utilizar o Slype e o Gizmo ao mesmo tempo com o pulse audio? Andei procurando no google essas informações mas não as encontrei e como ando sem tempo no momento gostaria de receber ajuda da comunidade. Mais uma coisa, também gostaria que o jogo Eternal Lands compartilhasse a placa de som ao invés de dominá-la.
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Enviada: Sex Dez 21, 2007 3:03 pm Assunto:
"pulseaudio" é um servidor de som que roda com privilégio de usuário comum na inicialização do ambiente de desktop. Isso por si só já é uma vantagem. Não é necessário ser root para reiniciar o servidor. Verificando que a aplicação "pulseaudio" não está sendo executada, basta reiniciá-la que o som voltará.
Não conheço o gizmo, mas a versão beta mais nova do skype dá muito menos problemas de som, os maiores bugs dela pertencem ao driver da webcam.
Mas essas coisas, inclusive o seu jogo, faz parte do mundo linux no sentido que o desenvolvedor está livre para depender de um terceiro (PulseAudio, X, V4L/V4L2, etc) para controlar um dispositivo ou ele mesmo fazer algo para controlar. Essa independência é que pode gerar a incompatibilidade de uma aplicação ou driver com outro(a). _________________ Abraços,
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Não é programador; não é hacker
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Enviada: Seg Dez 24, 2007 11:00 pm Assunto: nada de novo sob o sol
Fala
Obrigado pela resposta. Da maneira como o pulseaudio foi apresentado ele pareceu ser a tão aguardada e definitiva solução sobre os problemas de som que o linux sempre teve, pensei que a placa de som finalmento fosse ser compartilhada entre todas as aplicações. Percebo agora que o pulse vai apenas ser somado aos outros servidores de som já existentes, mais uma peça em um quebra-cabeça já bem complicado. Não haverá solução de problemas em nível de usuário, uma pena.
Eu adoro falar bem do Linux, mas parece que quando devemos criticar algumas coisas acaba ocorrendo um silêncio mortal na comunidade. Eu comecei a usar Linux com o Slackware 3.5, se bem me lembro em 1998 e em 2000 abandonei o Windows com o finado Conectiva Linux.
Nesse tempo todo nunca vi os aplicativos de som se entenderem entre si. Extrapolando o significado da palavra, se o linux é multi-tarefa o sistema de som deveria ser também. Também devemos reconhecer o fato de que um monte de servidores de som não é solução nenhuma em nível de usuário comum. Que usuário chega em casa e quer saber com qual privilégio o sistema de som está rodando? Ou por que ele não pode atender chamadas do Skype enquanto joga um pouco? Pior, será que ele quer mesmo saber se o programa acessa o esd, arts ou alsa?
Acho que os desenvolvedores precisam acordar bem rápido para esse problemão. Estou utilizando a palavra problemão propositalmente, visto que com as novas tecnologias de voip para uso doméstico sendo desenvolvidas a toda força o som nos computadores ganhou um novo nível de importância, sem percebermos e sem pensarmos nisso acabou sendo incluído nesta questão um fator econômico.
Sem um sistema de som que funcione de maneira simples e transparente, onde a configuração mais difícil que deva ser feita seja a dos volumes eu duvido que o linux realize a tão sonhada conquista do desktop, coisa que escutamos desde 2000, voltamos a escutar em 2007 e escutaremos novamente no final de 2008.
O motivo de eu estar levantando essa questão é o seguinte: acabamos de perder 2 usuários do Fedora , o motivo foi o mesmo: problemas de som que envolvem heavy metal, jogos, voip e economia de dinheiro.
Doeu criticar meu querido linux dessa forma mas eu consegui. Espero, de coração, que São Torvalds não seja o único com poderes para resolver esse problema.
Registrado em: Apr 22, 2006 Mensagens: 315 Localização: João Pessoa, PB, Brasil
Enviada: Ter Dez 25, 2007 7:21 pm Assunto:
Não há pelo que agradecer. É sempre muito bom poder compartilhar nossas experiências uns com os outros.
Não sei como o PulseAudio foi apresentado a você. Talvez ele não seja a solução definitiva (ou não nesse exato momento), mas é uma resposta ao seu clamor. Não encare como mais uma peça para complicar o quebra-cabeças, tente vê-lo como algo que veio exatamente para descomplicar o acesso ao áudio do Linux. Imagine que agora os programas precisam apenas enviar suas saídas de som para o PulseAudio e ele enviará para o servidor de áudio que estiver funcionando. Fiz o seguinte teste: três usuários abriram um arquivo de vídeo no desktop e um deles ainda abriu duas vezes o mesmo arquivo. Coloquei as quatro janelas na tela e ouvi tudo como se tivesse um eco reverberando quatro vezes. Isso já pode tirar sua dúvida sobre a capacidade de multi-tarefa e multi-usuário que o Linux possui. Pois então, seja ALSA ou OSS ou outro sistema de som, o PulseAudio vai gerenciar corretamente o som. Contudo, isso só vale ser dito quando o software faz sua chamada para o PulseAudio. De nada adiantará se o software continuar usando seu drive pessoal para gerir o dispositivo de som, ou como você colocou: "dominando" a placa de som. Isso é escolha do desenvolvedor.
É bom lembrar que o que temos hoje é o somatório de um monte de ferramentas GNU, outro tanto de programas não-GNU, softwares de várias licenças, feitos por diversas pessoas controlados pelo kernel Linux. Nem sempre todos os programas instalados convivem de forma harmoniosa -- são os efeitos colaterais da liberdade. Também é válido salientar que se chegou nesse ponto com um fracionamento tremendo de todas as tarefas: desenvolvimento, documentação, distribuição, instrução, tradução, teste, etc. E isso foi feito em parte com trabalho convencional e remunerado; e em parte (a maior fatia) com trabalho voluntário e gratuito. Já do lado do usuário, há uma fração de usuários que pagam pelo software e/ou pelo suporte e outros que usam gratuitamente. Pode parecer ABC para um usuário tão antigo quando você, mas estou escrevendo para que outro que não caminhou por tanto tempo pelo mundo livre conheça a realidade e não tenha uma postura equivocada: como se fosse um consumidor e esperasse ser atendido como cliente, quando deveria agir também como colaborador e cooperador para o desenvolvimento do Sistema Operacional. Obviamente, boas críticas e relatos de erros são mola propulsora para correção de bugs e inovação. Infelizmente, temo que seu desabafo não será lido por nenhum desenvolvedor ou mantenedor de algum pacote oficial do PulseAudio ou mesmo do Fedora. No máximo existirá aqui alguém responsável pela documentação ou tradução de algo do Fedora.
Eu comecei a usar o Linux um pouco antes de você com o Red Hat 4.2, tinha tentado em 1995 e 1996, mas só em 1997 consegui colocar o SO pra funcionar e em 1998 pude fazer todas as atividades que eu precisava no Linux. Contudo, você andou por um caminho que eu nunca trilhei: não sei nem para onde vai o Slack, nunca usei. Os problemas da minha época giravam em torno de vídeo e modem. O som foi algo que eu nunca tive dificuldade porque sempre optava pela Creative que sempre foi bem suportada. Depois percebi que o comportamento que eu tinha quanto à placa de som deveria ser também o mesmo com o resto do hardware do PC. Comprar equipamento compatível com o Linux reduzia a perto de zero meus problemas de configuração e, em geral, significava adquirir hardware de qualidade. Esse hábito mantenho até hoje. Eliminando as dúvidas sobre o equipamento, isolando o responsável pelo defeito, em outras palavras, sabendo apontar o defeito e mostrando como reproduzi-lo, já pude relatar defeitos para o Ubuntu e para o Fedora e até mesmo conversar desenvolvedores do Ekiga. Como não sei programar, essa é uma das formas que colaboro para o aperfeiçoamento do Linux.
Problemas sempre existirão, seja qual for o sistema. É inconcebível usar um Windows sem anti-vírus e/ou apenas com o CD de instalação do sistema. É um trabalho hercúleo configurar um cluster ou uma rede de terminais leves no Windows. Por outro lado, nem sempre é possível usar aquele programa feito para a plataforma Windows dentro de um Linux (pode até ser fácil, mas também pode dar um bom trabalho para executá-lo ou simplesmente ser impossível, como foi antes dito). Ou você pode ter muitos problemas se decidir fazer todas as atividades usando o root. Há limitações que são persistentes. Não sei porquê o Windows ainda não possui uma ferramenta nativa que liste os arquivos que determinado programa está usando. Isso seria extremamente útil quando você não sabe porque o seu pendrive está impedido de ser "removido com segurança". Por outro lado, no Linux, o sistema de impressão sempre parece estar em segundo plano e principalmente no Gimp isso pode ser muito bem visto: a qualidade da impressão não é mil maravilhas.
Sobre "a conquista do desktop" acho que aqui já chegamos. Veja o programa do Governo "Computador para Todos", veja tantas pessoas que usam exclusivamente o Linux. Sim, já é possível usar um Linux num desktop. Eu já fazia isso em 1998. Essa conquista não pode ser confundida com hegemonia -- o que é bem diferente. Tanto a Coca-Cola quanto a Pepsi já conquistaram o consumidor de refrigerantes, contudo, apenas uma possui hegemonia. Monopólios não são destruídos tão facilmente, nem mesmo com excelentes concorrentes. Cito dois casos: VHS versus Betamax e PC versus Mac. Por diversas razões uma tecnologia ou um produto se sobressai, nem sempre por critérios de qualidade ou preço. Com isso, não estou defendendo a estagnação ou a estratificação de qualquer coisa. Como diz a Bíblia "Aquele que está em pé cuide para que não caia".
Aparentemente o seu problema está no seu jogo. Fazendo os devidos testes, acredito que o melhor que você possa fazer é entrar em contato com os desenvolvedores e relatar o bug. Certamente eles são os mais indicados a corrigir o software. _________________ Abraços,
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Não é programador; não é hacker
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Editado pela última vez por Mythus em Qua Dez 26, 2007 12:33 am, num total de 1 vez
Foi uma das melhores respostas (e um dos melhores desabafos também) que li nos últimos tempos. _________________ Linux user nº 416799
Embaixador Fedora Brasileiro
Fedora i10n Team
Estudande de Engenharia Química UFRRJ
Viciado em Fedora
Enviada: Qui Jan 10, 2008 11:51 am Assunto: demorado sim, mas ainda vivo
Fala Mythus
Não me esqueci de nossa conversa não, é que está bem difícil entrar aqui para postar.
Gostei muito da sua resposta.
No momento eu já consigo rodar o Gizmo e o Skype juntos e sem que um interfira no outro, porém ocorrem alguns problemas de vez em quando. Já o Eternal Lands não tem jeito. a placa de som não é minha, é dele e pronto.
Apesar de toda a festa ao redor do Pulse ainda não consigui ser otimista, eu acho que 10 anos é tempo suficiente para o aparecimento de uma solução e se ela não veio até hoje, isso me deixa com a triste impressão de que ela não virá nos próximos 10 também.
Escreverei mais hoje de noite, abração. _________________ Cláudio