Anderson Gama (Smash_se):
Dedicou um tempo em sua agenda para responder algumas perguntas a comunidade Brasileira De Useres de Fedora Core Linux, nós!
E é com muito prazer que inauguramos mais esse tópico Entrevistando Você!
A idéia é entrevistar pessoas que ajudam as comunidades ou projetos Livres e que tem em comum o compartilhamento de conhecimentos!
Bom ninguém melhor que ele o famoso Smash_se para começar, quem sabe mensal ou trimestral teremos entrevistas!?
Tem alguma sugestão de entrevistas, envie um emal para fedorabr|arroba|gmail.com.
E com vocês, Anderson Gama!
Untitled Document
Fedora Brasil:
Que tal se apresentar? Quem é Smash_se? O que faz (Profissão)?
Mora aonde? Qual os seus hobbies? Quais projetos você colabora hoje em
dia? Qual o seu site pessoal? Tem mascote? Cite os sites que você mais
freqüenta?
Anderson Gama (Smash_se):
Bem, eu nasci numa cidade chamada Itororó-BA e com 6 anos vim morar em
Aracaju-SE, sou uma pessoa muito apegada a família, aos amigos e trabalho.
Trabalho como consultor de informática e implementador técnico do
projeto Telecentros Casa Brasil nos estados de AL, BA e SE. Atualmente resido
em Aracaju-SE de onde não pretendo sair tão cedo pois é a
cidade que amo. Gosto de passar as horas vagas me divertindo com o Inkscape e
GIMP. No momento estou ligado diretamente ao Linux-SE do qual sou presidente,
ao Kubuntu-BR o qual administro, o projeto Telecentros Casa Brasil que já
citei e indiretamente ao portal Fedora Brasil. Meu site pessoal é http://www.smash-se.com.br.
Meus mascotes são três gatas doidas (Pitty, Mel e Vida) e um cachorro
de nome Apolo que supera as 3 juntas. Os sites que eu mais visitam podem ser acessados
em Sites no meu site.
Fedora Brasil:
Smash, qual a sua expectativa para o Software Livre no mercado brasileiro?
Anderson Gama (Smash_se):
A melhor possível. Diferente de quando comecei a trabalhar com Linux
e Software Livre em 1994 existem ferramentas e distribuições realmente
competitivas bem como informação de suporte sobre elas em grande
quantidade. O nicho do Software Livre se encontra na maneira de como explorar
a migração de sistemas proprietários para uma plataforma
livre reduzindo assim o CTP e investindo o que se gastaria em licenças
em treinamento e capacitação aos funcionários. Uma empresa
que se focar nesse modelo de negócios terá grandes chances de
permanecer num mercado competitivo como é o de prestação
de serviços ao oferecer capacitação e consultoria a organizações
privadas e governamentais.
Fedora Brasil:
O que você achou da atuação do Governo Federal durante
a implantação de Software Livre nos equipamentos? O que você
esperava? Não faltou uma pessoa há frente dos projetos que fosse
mais rigorosa com a aceitação principalmente dos funcionários?
Queremos saber sua opinião a respeito desse assunto.
Anderson Gama (Smash_se):
Creio que foi positiva, um processo de migração é uma
decisão tanto técnica quando cultural, envolve a gradativa redução
da dependência de softwares proprietários por meio de uma migração
de ferramentas de uso continuo e diário como editores de texto, clientes
de e-mail e navegadores. Se formos verificar, um exemplo seria substituir em
estações o trio Office, Outlook e Internet Explorer por BrOffice,
Thunderbird e Firefox antecipada é claro de uma capacitação
para os usuários afim de ambienta-los em um primeiro momento com o Software
Livre sempre expondo os beneficios. O usuário se gosta e se sente a vontade
com o novo software vai querer tê-lo instalado no micro de casa o que
o torna por tabela um multiplicador que poderá em um segundo momento
propiciar uma migração plena para uma plataforma livre tanto no
trabalho quanto que em casa. Existe um Grupo de Trabalho Migração
para Software Livre cujo o endereço é esse: http://guialivre.governoeletronico.gov.br/gtmsl/.
Outra fonte importante é o Guia Livre que é uma documentação
voltada ao processo de migração.
Fedora Brasil:
Diante dos acontecimentos com as empresas; Red Hat, Conectiva e Novell, seria
esse mesmo o caminho do Linux? Será que o mercado hoje é mais
carente de que
lado? Desktops ou server?
Anderson Gama (Smash_se):
Creio que a demanda por sistemas de código aberto no mercado de servidores
sempre será grande até pelo fato dos Linux's e BSD's estarem tomando
o lugar dos servidores com Unix e Windows aos poucos. Particularmente em alguns
casos pude constatar que o Linux deu sobrevida a equipamentos que de outra forma
estariam aposentados devido as exigências de hardware que sistemas operacionais
proprietários em suas novas versões possuem. O mercado de desktops
é algo novo mas muito buscado pelos desenvolvedores, se pararmos para
olhar o desenvolvimento das duas interfaces gráficas mais usadas no Linux,
KDE e GNOME, elas hoje se encontram bem mais maduras que há alguns anos
atrás quando se começava a cogitar um uso real das mesmas nos
desktops. Testes de usabilidade realizados com KDE e GNOME demostram que a curva
de aprendizado e o choque de se sair de um computador com Windows para um com
Linux hoje em dia é deverás menor. O momento em que vivemos é
ótimo para a consolidação do Linux nos desktops pois o
Windows Vista exige muitos recursos para o parque médio de máquinas
nacional e os novos releases das principais interfaces gráficas KDE4
e GNOME 2.14 se mostram como alternativas muito agradáveis. Cabe aos
desenvolvedores de aplicativos específicos portarem seus programas para
Linux de forma a serem executados sem emulação ou que desenvolvedores
da comunidade consigam criar ou melhorar aplicações em um grau
que permita sua migração total ou parcial.
Fedora Brasil:
Com o constante crescimento de usuários Linux no nosso país,
hoje não existe uma distribuição brasileira como era a
Conectiva, o que o Anderson Gama (Smash_se) gostaria de dizer para aquelas pessoas
que ainda não tentaram usar software livre principalmente o Linux, tendo
como referência os famosos Tabus!?
ex:
"Linux é para nerd"
"Linux é difícil e complicado".
"OpenOffice não faz o que o outro faz"
Anderson Gama (Smash_se):
Usem Software Livre, ele não gera dependência e ainda por cima
liberta o usuário para novas possibilidades computacionais. Não
me considero nerd, não considero que distribuições Linux
como o Fedora, Suse e Ubuntu sejam difíceis e o BrOffice no seu release
2.0.1 é uma alternativa madura e competitiva ao seu rival. Aqueles que
tiverem conhecimento de como trabalhar com o Linux e aplicativos livres como
o BrOffice terão vantagens no mercado de trabalho muito maiores que aqueles
que conhecem somente softwares proprietários como os do pacote MS Office.
Fedora Brasil:
Sobre a ética entre os administradores de sites sejam de notícias,
comunidades, pesquisas e etc. que tratam de software livres, sabemos que existem
algumas rivalidades, qual a sua opinião?
Anderson Gama (Smash_se):
Nos exemplos de sites citados na pergunta podemos notar que muitas vezes os
administradores não tem conhecimento sobre a ética do jornalismo
voltada a divulgação de notícias e outros fatos então
como somos humanos e por mais que tentemos ser imparciais em algumas vezes colocamos
sentimentos pessoais acima da razão. O que há atualmente é
uma corrente na qual tanto desenvolvedores de software quanto conteúdo
começam a procurar trabalhar de forma mais profissional amenizando assim
as animosidades.
Fedora Brasil:
Com relação ao apoio que os empresários oferecem aos desenvolvedores
e projetos de softwares livres nacionais. Quando se trata de software livre
o maior empecilho em colocar um projeto em prática é o apoio financeiro,
seria falta de interesse dos empresários ou os projetos nacionais não
geram um retorno agradável?
Anderson Gama (Smash_se):
A dificuldade maior ao meu ver é o modelo de desenvolvimento conservador
que muitas softhouses nacionais de porte médio possuem. O software livre
é uma realidade antiga mas o modelo de negócios baseado nele é
algo que ainda não é claro em países da Europa e nos EUA
que fará no Brasil onde mais de 70% dos desenvolvedores dependem de software
proprietário para desenvolver seus aplicativos comerciais. Em um modelo
conservador de produção, o tipo de software que domina a maioria
dos nichos de mercado é software proprietário, ou seja, um software
que não pode ser redistribuído ou modificado sem permissão
da empresa ou pessoa que o fez, logo a melhor maneira de se adquirir receita
com sua produção é através da venda de licenças
uso que podem estar ligadas a finalidade com a qual tal aplicação
se destina e ao tempo de uso para com ela. Já em um modelo de desenvolvimento
com base em software livre a receita chega por meio da prestação
de serviços, seja ela na forma de capacitação, manutenção
ou customização de uma aplicação para que se atenda
uma determinada necessidade. Na medida em que o mercado tomar ciência
das reais possibilidades desse modelo de desenvolvimento, tanto o apoio financeiro
quanto o fim dos empecilhos serão reais.
Fedora Brasil:
Temos hoje muitas distribuições, vários projetos envolvidos,
tantos outros aplicativos talvez os softwares livres sejam os mais documentados
entre os softwares no mundo todo. Com tanta informação disponível
o que está faltando para engrenar de vez?
Anderson Gama(Smash_se):
Que a MS cobre de maneira mais rígida o pagamento de licenças.
Ela sempre levanta as mãos aos céus por existir a pirataria por
mais que não admita pois é a pirataria que divulga seu software
em muitos países subdesenvolvidos gerando dependência pois aquele
software proprietário que um usuário usa em casa vai querer que
seja instalado na sua empresa e essa empresa vai ter de gastar com a compra
de licenças se não quiser ser autuada por pirataria e assim segue
a cadeia alimentar que remete os lucros para o exterior. Enquanto um usuário
domestico puder chegar em um camelô e comprar por R$ 5,00 um software
que custaria R$ 729,00 ele nunca irá abrir os olhos para outras reais
possibilidades no mundo dos softwares livres como Linux e BrOffice/OpenOffice
por exemplo.
Fedora Brasil:
Sabemos que hoje você está trabalhando com o ubuntu em seus desktops,
bom, com o lançamento do Fedora Core 5 e sabendo ainda da sua paixão
pela distribuição, vamos ter que perguntar... O que você
mudaria no Fedora Core Linux para usar nos seus desktops hoje diante do conhecimento
do Fedora Core 5?
Anderson Gama (Smash_se):
Aquilo que o Christian Tosta fez como Ekaaty e mais algumas coisas como o desmembramento
de pacotes e a adoção do apt como gerenciador de pacotes padrão.
Para servidores o Fedora sempre será uma das minhas principais escolhas
pelo fato de ser um distribuição que se originou do Red Hat que
por sua vez possui uma base robusta e muito profissional. Ao contrario do que
muitas pessoas pensam não parei de usar o Fedora, ele sempre esteve em
um dos HD's do meu computador pessoal. O que houve é que eu havia engessado
a minha visão para outras distribuições e o Ubuntu se mostrou
como uma alternativa muito mais limpa e leve para o meu uso em desktop e em
pequenos e grandes servidores o que fez com que ela se tornasse a padrão
para meu computador.
Fedora Brasil:
Qual o melhor momento do Linux hoje em dia na sua opinião!? E vamos
ajudar na pergunta, onde ele atualmente é soberano se comparando com
outros Sistemas?
Anderson Gama (Smash_se):
A visibilidade que a mídia hoje propicia ao software livre em geral
faz com que usuários e corporações vejam com bons olhos
as possibilidades tecnológicas, econômicas e sociais geradas pelo
Linux e companhia. Clusters e servidores onde o Linux com o trio AMP (Apache+MySQL+PHP)
é imbatível.
Fedora Brasil:
Deixe seu recado para as pessoas que leram suas respostas você pode ficar
a vontade nesse espaço, pode falar bem ou mal o que você quiser
e de quem quiser!!
Anderson Gama (Smash_se):
O caminho de se usar algo que virtualmente é minoria é duro e
muitas vezes somos tentados pelo lado negro da força. Quando
eu era garoto minha mãe me dizia: Esse negócio de Linux
não vai te levar a lugar nenhum, saia da frente desse computador!
Continuei não só usando Linux como também descobri que
o universo do compartilhamento de conhecimento e desenvolvimento colaborativo
foi uma das melhores coisas que me aconteceu. Mantenha sempre sua fé,
nunca negue ajuda a quem precisar e faça sempre o melhor que puder e
mais um pouco pois melhor que ser reconhecido é se reconhecer. Tenho
que agradecer aos colegas do Linux-SE, Fedora Brasil e Ubuntu-BR por toda a
ajuda e apoio. Até mais :)